Rousseau: “As mulheres, em geral, não amam nenhuma arte”

A respeito das Cartas portuguesas, o filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), numa carta para seu amigo, o enciclopedista Jean d’Alembert (1717-1783), num diálogo iluminista desiluminado, defende a tese de que apenas um homem poderia ter escrito tais cartas. A tradução foi gentilmente feita pelo João Camillo Penna, professor de Teoria Literária da UFRJ:

As mulheres, em geral, não amam nenhuma arte, não conhecem bem nenhuma, e não têm nenhum gênio. Elas podem realizar pequenos trabalhos que requerem apenas leveza de espírito, gosto, graça, às vezes inclusive filosofia e razão. Elas podem adquirir ciência, erudição, talentos, e tudo o que se aprenda com trabalho. Mas esse fogo celeste que aquece e acalenta a alma, esse gênio que consome e devora, essa ardente eloquência, esses transportes sublimes que levam o arrebatamento até o fundo dos corações, faltam sempre nos escritos das mulheres: eles são completamente frios e bonitinhos, como elas; eles poderão ter quanto espírito você quiser, nunca alma; serão cem vezes mais sensatos que apaixonados. Elas não sabem nem descrever nem sentir o amor mesmo. Apenas Safo, que eu saiba, e uma outra merecem ser excetuadas. Eu aposto o mundo inteiro que as Cartas Portuguesas foram escritas por um homem. Ora, onde quer que as mulheres dominem, seu gosto deve também dominar: e é isso o que determina o de nosso século.

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UFSC-UFRJ: literatura no Fundão amanhã

Nuno Ramos, Ana Cristina Cesar, Jorge de Lima, Haroldo de Campos, Antonio Cicero, Guimarães Rosa, Jorge Luis Borges, Augusto de Campos, Roberto Schwarz, Dora Ferreira da Silva, Georg Trakl, Else Lasker-Schüller: são os escritores que essa rapaziada da Teoria Literária da UFSC e da UFRJ estudam e vão apresentar amanhã no Fundão, após a primeira aula do prof. Jorge Wolff pela manhã.

procad

O Procad é um convênio do programa de pós-graduação em Literatura da UFSC com os respectivos programas da Unicamp e da UFRJ.

Fórum e Flaubert

Publicidade da Revista Senhor, que entre 1959 e 1964 imprimia regularmente, em tiragens para todo o Brasil, textos de Clarice Lispector, Guimarães Rosa & Cia.

Saíram os novos números de duas revistas bacanas:

O número 11 da Fórum de Literatura Brasileira Contemporânea, organizadas por professores de Literatura Brasileira da UFRJ, e com textos diversos (isso que é legal nela: artigos, ensaios, resenhas, entrevistas) dedicados à literatura contemporânea stricto sensu.

O número 6 da revista Flaubert, que publica contos de gente do Brasil todo, editada de forma independente e aguerrida pelo meu colega Mariel Reis, com quem trabalho no Colégio Pedro II.