Língua portuguesa passa a ser módulo dos Percursos Educativos

[Matéria reproduzida do Portal do MEC]

Depois do Percurso Educativo de Matemática, a TV Escola, emissora vinculada ao Ministério da Educação, lança nesta quinta, 5, o segundo módulo de aprofundamento de estudos para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), desta vez em língua portuguesa. Plataforma digital desenvolvida para os estudantes que se preparam para o Enem, o Percurso Educativo apresenta todas as questões do exame desde 2012, divididas por conteúdo pedagógico, pelo grau de dificuldade e pela incidência percentual dos temas em todos os exames.

Elaborados por meio de projeto da TV Escola que complementa o programa Hora do Enem, os percursos – em matemática, língua portuguesa e, em breve, nas demais disciplinas – não apenas apresentam o caminho para resolução de exercícios, mas servem de apoio a qualquer pessoa interessada em estudar. Além das questões do Enem, a plataforma oferece links para videoaulas, materiais pedagógicos e múltiplos conteúdos de aprofundamento dos estudos.

O percurso de língua portuguesa foi desenvolvido com a curadoria do professor Luiz Guilherme Barbosa, consistindo em um roteiro de estudos dividido em três caminhos – texto, gramática e literatura. As seções foram organizadas com base na Matriz de Referência do Enem, em consonância com a prática curricular da escola brasileira.

O grau de dificuldade de cada questão foi medido especialmente para a elaboração desse percurso educativo. Questões de compreensão textual ou que requerem a aplicação de um conceito ao texto são consideradas fáceis, enquanto as que demandam maior concentração na leitura, mobilizando mais de um texto ou conceito, são consideradas médias. Já as questões que exigem habilidade de leitura ou conhecimento prévio complexos, em geral sob perspectiva interdisciplinar, foram classificadas como difíceis.

Transformação – Para o professor Barbosa, o aprendizado da língua portuguesa e o estímulo à leitura também fundamentam o compromisso da escola em formar pessoas engajadas na transformação do mundo. “Um cidadão letrado deve ser alguém competente para ler, escrever, falar e escutar em diversas situações de comunicação, da mais formal à mais informal”, explica. “Ele conhece os gêneros textuais e também as regras da gramática normativa, mas principalmente é autor de um discurso que procura fazer justiça ao seu desejo e ao desejo do outro, no contexto de uma sociedade democrática. ”

O investimento em leitura é notório na prova do Enem, que praticamente seleciona um novo texto para cada questão da área de linguagens, códigos e suas tecnologias. Textos literários estão muito presentes nas questões, inclusive naquelas que não tratam de conhecimentos de história ou composição relacionada à literatura. Imagens publicitárias, infográficos e tirinhas também testam frequentemente a leitura de elementos não verbais.

Além disso, diversas questões preveem a análise comparada de textos, o que exige do estudante o desenvolvimento de modos de construção argumentativa do material. Assim, além de conhecer algumas regras de funcionamento da gramática do português, é preciso chegar ao Enem sabendo reconhecer estratégias argumentativas, dominando a teoria das funções da linguagem ou compreendendo a formação histórica do português brasileiro.

Questões – As questões referentes ao texto incluem o estudo de gêneros textuais, linguagem não verbal, estratégias argumentativas, funções da linguagem, coesão textual e relações de intertextualidade. As de gramática se debruçam sobre três áreas: norma-padrão, variação linguística e patrimônio linguístico. Por fim, as questões referentes à literatura estão concentradas em duas perspectivas: a história da literatura no Brasil e a organização do texto em função dos gêneros literários.

A história da literatura está organizada de modo a refletir de maneira equilibrada a quantidade de questões referentes a cada momento literário. A literatura do período colonial e a literatura do século 19, com baixa incidência de questões no Enem, reúnem as categorias históricas dos estilos barroco, arcadismo, romantismo, realismo, naturalismo, parnasianismo e simbolismo. A maior parte da prova é centrada nas literaturas dos séculos 20 e 21, que reúnem pré-modernismo, modernismo e literatura contemporânea. Outras questões que não preveem o conhecimento da história literária são organizadas em função do gênero ao qual pertencem os textos objetos propostos: teatro, poesia e narrativa.

Assim como no percurso de matemática, a plataforma de estudos de língua portuguesa pretende tornar mais clara a organização das provas do Enem para que o candidato produza um caminho de estudo condizente com os saberes que são requeridos na resolução das questões. “No fundo, o que está em questão é um outro modo de estudar língua portuguesa, que responda com maior rigor às propostas elaboradas pelos parâmetros e orientações curriculares vigentes, em busca da autonomia do estudante na produção dos saberes”, resume o professor Luiz Guilherme Barbosa.

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Assessoria de Comunicação Social

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Assassinato de poetas a domicílio

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Dá pra fazer muita coisa com esse título. A Bruna Gonçalves, por exemplo, printou o pixo que apareceu na tela e levou com ela pra oficina literária na escola. Assassinato de poetas a domicílio. O menor conto e o conto menor, conto de escola circulando torto. O canto virado de sereia foi o do conto. A comunidade dos poetas-na-escola diante de Os cem menores contos brasileiros do século, que o Marcelino Freire organizou. Lemos vários, em roda, voz a voz, vis à vis. Depois, a vez de cada um escrever o conto em até 50 letras, cada um escreveu vários. Alguns estão aqui. Foi no dia 7 de julho de 2017 e era uma sexta-feira naquela biblioteca do Colégio Pedro II, no bairro de Realengo. Nenhum poeta à vista.

 

– Olá, Sr. Lua! Tudo bem?

– Não.

 

Lógica do capital

Por três horas catou folhas no chão, então lançou-as ao mar.

 

a cada mordida
cuspia os caroços no chão
a cada beijo
um de seus dentes caía

 

– Você me ama?
– Não.

 

Cinco

Um, dois, três, quatro, quatro.

 

Não abriu a porta, moveu o mundo todo em volta.

 

Quando o sol nascer no leste, saberemos que fomos enganados.

 

É isso.

 

Os contos de Assassinato de poetas a domicílio são, respectivamente, de: Juliana Pereira, Gabriela Almeida, Mariana Freitas, Ana Clara Nogueira, Bruna Gonçalves, Alexandre Magalhães, Gabriela Almeida e Gabriel Tomé

 

Bartleby e seus tradutores

 

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Javier Zabala desenha Bartleby

Bárbaro burburinho. Uma professora me contou que jogou fora um livro do Bartleby que ela tinha porque a frase do Bartleby estava mal traduzida. Bartleby é literatura de ocupação. Quando Bartleby ocupa o escritório do advogado, permanecendo nele durante os finais de semana, o narrador se pergunta: “Mas o que ele poderia estar fazendo ali? – copiando?” O que fazem, afinal, os estudantes numa ocupação? A frase do Bartleby ecoa a recusa que as ocupações são, embora haja controvérsias. É, de todo modo, uma frase que enuncia a própria possibilidade da política, e, por isso mesmo, do exercício da cidadania numa sociedade democrática. Esse clássico norte-americano, contemporâneo a outro clássico seu conterrâneo, o conceito de “desobediência civil”, de Henry David Thoureau, pode ser lido como uma espécie de usina de linguagem democrática, já que o gesto bartlebyano produz sempre mais democracia onde, mesmo numa relação de trabalho organizada e instituída, ela (segundo se diz) já se faz presente. Bartleby, precursor das ocupações, encontra agora traduções inéditas para que nessa língua se possa falar mais ou ainda mais alguma coisa que ecoe um burburinho bárbaro como “I would prefer not to”. São traduções produzidas para o Instituto Pierre Menard, já que, por enquanto, não estamos nele. O Instituto Pierre Menard foi imaginado por Enrique Vila-Matas, em Bartleby e companhia: “Instituto Pierre Menard, romance de Roberto Moretti, é ambientado num colégio em que ensinam a dizer ‘não’ a mais de mil propostas, desde a mais disparatada até a mais atraente e difícil de se recusar”. Não foram poucos os alunos que me perguntaram o que aconteceria se eles preferissem não fazer a tradução que propus. Não fui eu quem disse o que aconteceria. Kafka inventou os seus precursores, Bartleby inventará os seus tradutores. “Traduzir é como olhar para a direita e para a esquerda ao mesmo tempo”, escreveu um dos tradutores, o Caio Philipi. Outro tradutor, o Patrick Barboza, observou que um software de tradução não poderia ser muito criativo ao traduzir Bartleby, pois faz “a tradução com base na palavra e não no contexto”. O Google Tradutor propõe: “Eu preferiria não”. O Patrick, que é cego, desejou reivindicar a tradução em contexto, o que me deixa confuso e feliz. Afinal, no contexto da escola e depois da ocupação, a leitura do clássico feita por esses alunos da terceira série do ensino médio responde a que contexto de família, de cidade, de escola, de país, de gramática, de tradução? Tradutores amadores, que paixão moveu cada um? O trabalho com a leitura do texto literário, na inscrição de cada um no texto, é tradução infinita, como o trabalho de Bartleby, no escritório, foi repetir a frase que, a cada vez repetida, “abole o termo sobre o qual incide e que ela recusa, mas também o outro termo que parecia preservar e que se torna impossível”, no modo como a pensou Deleuze. Tradução impossível, a frase de Bartleby produziu tradutores improváveis que, desde a escola, a querem estrangeira e por vir, na iminência de serem lançadas pela janela ou jogadas no lixo, pois a tradução original não vai chegar.

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As traduções foram produzidas por estudantes das turmas 2304 e 2308, da terceira série do ensino médio do Colégio Pedro II, Campus Realengo II, em abril e maio de 2017.

PIXO PIXEL POESIA, parte I

1. Algumas formas da poesia contemporânea procuram não somente extrapolar o livro como destino do poema, como também produzir formas para o poema para as quais o livro se torna impensável. As ruas, os muros, as praças e as redes digitais transformam-se no suporte ou no veículo do poema, e as experimentações de uma série de poetas brasileiros têm feito do espaço público das cidades lugar de poesia.

2. Assim, as projeções de poemas em código Morse na fachada do Museu de Arte do Rio, realizadas por Renato Rezende (SOS Poesia, 2015): vídeocatálogo.

3. Ou ainda as pichações fotografadas por Alberto Pucheu nos muros do Rio de Janeiro e de outras cidades do Brasil e da Europa (Palavras, 2011-2014): vídeo-poema & entrevista.

4. Ou então a instalação-web de poemas sobre o mapa da cidade de Vitória, por Tazio Zambi (cerco, 2013): site.

5. Ou mesmo o aplicativo de poemas da Gab Marcondes, feito junto com Bruno Vianna (poemapps, 2012): site.

6. São quatro exemplos de como a poesia tem ocupado as cidades em performances irredutíveis à página.

7. A oficina PIXO PIXEL POESIA foi concebida por Luiz Guilherme Barbosa, e produzida em parceria com a Raquel Menezes, editora da Oficina: site.

8. Realizada pela primeira vez na Primavera Literária do Rio de Janeiro, no Palácio do Catete, a oficina produziu 12 textos, pixos íntimos, caneta preta sobre papel, e a caligrafia experimentada.

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Ana Hortência

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Ludmila Müller

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Jessica di Chiara

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Juliana Souza do Rego

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Yassu Noguchi

 

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Bruno Domingues 

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Gabriel Lanhas

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Elisa Simoni

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Yolanda Soares

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Virgínia Egito

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Monique Nix

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Sidney Amandulo

 

 

 

Arte & ponto (Homenagem a Regina Silveira)

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Regina Silveira

No meio de uma revista de palavras cruzadas, lançada em agosto de 2016, uma página composta por Regina Silveira. O projeto da Ikrek Edições em parceria com a revista A Recreativa deu no que deu: os dois grupos de escritores da Oficina Ato Zero desobedeceram os pontinhos da página-de-artista & compusemos três novas páginas. Eu, que encomendei cinco exemplares da revista com a página da Regina Silveira, ganhei três outros exemplares dos escritores da Oficina, multiplicando presente com a graça de graça dos presentes. Arte, morte, marte, até se apagarem os pontos & ponto final. Exercício de desaparecimento, jogo do jogo, um aceno, de uma oficina literária na escola, ao mundo da arte quando ele se propõe, barato, a circular pelas bancas de jornal.

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Fala, coisa! (Quatro homenagens a Francis Ponge)

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Jean Dubuffet, Retrato de Francis Ponge, 1947

Tudo começou, dessa vez, com a Missão Dois Reais: cada escritor recebeu uma nota de dois reais e a missão de comprar um objeto qualquer desde que na coisa comprada houvesse texto impresso e a coisa fosse comprada com até dois reais. Era preciso levar a coisa para a escola acompanhada do troco, se houvesse, e da nota fiscal, se houvesse. E assim cada escritor produziu sua coisa textual, cada objeto escolhido, lápis cola copo tatuagem, foi transcrito, e a coisa transcrita deu nessas coisas textuais. Código de barras, local de fabricação, registro em agência reguladora, recomendações de uso, uma série, enfim, de gêneros textuais guardados invisíveis nas coisas banais e baratas, o que o texto da coisa diz de um mundo em que a coisa e a mercadoria mal divergem? São homenagens a Francis Ponge.

lápis

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Bruna Gonçalves

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Danilo Sardinha

A letra, os corpos, a escola

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Roman Opalka (1930-2011)

Repetir a letra para corrigir o comportamento: um modelo para o castigo na escola. Repetir a frase no quadro-negro que diz o que não se deve repetir no comportamento: uma ética para o castigo na escola. As provas, que propõem ao estudante repetir a letra das aulas para provar o saber pela repetição, são, também elas, um modelo para a culpa na escola, e nas universidades. O estudante é culpado por não saber, e por isso o seu trabalho, ao contrário do trabalho de aprendizado do professor, não é remunerado. O ônus da prova é de quem acusa, mas não na escola, onde o ônus da prova é do aluno, acusado de não saber. A distopia segue a mesma: que a letra atue na moralização dos corpos. E alguma oficina literária, na escola, pode ser espaço heterotópico: que a letra atue no deslocamento dos corpos. Escrever até o fim, como Roman Opalka pintou com números ou como Armando Freitas Filho segue numerando seus poemas: um modo de deslocar os corpos, deslocá-los para, separados da letra, inscreverem, na letra, sua ausência. Escrever até o fim como um modo de deslocar os corpos para perto da morte, e a escrita acontecer. Caligrafar, assim, algum abandono, e debandar, assim, rumo à duração da letra, ao quanto se sustenta a numeração ou a repetição da letra antes que o corpo acabe. Ao se apropriarem do dispositivo do castigo, os escritores da Oficina Literária Ato Zero produziram a possibilidade de debandarem rumo ao texto sem fim.

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Bruna Gonçalves

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Mariana Freitas

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Danilo Sardinha

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Mariana Batista

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Mariana Albuquerque

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Gabriel Tomé