Assassinato de poetas a domicílio

augusto-monterroso

Dá pra fazer muita coisa com esse título. A Bruna Gonçalves, por exemplo, printou o pixo que apareceu na tela e levou com ela pra oficina literária na escola. Assassinato de poetas a domicílio. O menor conto e o conto menor, conto de escola circulando torto. O canto virado de sereia foi o do conto. A comunidade dos poetas-na-escola diante de Os cem menores contos brasileiros do século, que o Marcelino Freire organizou. Lemos vários, em roda, voz a voz, vis à vis. Depois, a vez de cada um escrever o conto em até 50 letras, cada um escreveu vários. Alguns estão aqui. Foi no dia 7 de julho de 2017 e era uma sexta-feira naquela biblioteca do Colégio Pedro II, no bairro de Realengo. Nenhum poeta à vista.

 

– Olá, Sr. Lua! Tudo bem?

– Não.

 

Lógica do capital

Por três horas catou folhas no chão, então lançou-as ao mar.

 

a cada mordida
cuspia os caroços no chão
a cada beijo
um de seus dentes caía

 

– Você me ama?
– Não.

 

Cinco

Um, dois, três, quatro, quatro.

 

Não abriu a porta, moveu o mundo todo em volta.

 

Quando o sol nascer no leste, saberemos que fomos enganados.

 

É isso.

 

Os contos de Assassinato de poetas a domicílio são, respectivamente, de: Juliana Pereira, Gabriela Almeida, Mariana Freitas, Ana Clara Nogueira, Bruna Gonçalves, Alexandre Magalhães, Gabriela Almeida e Gabriel Tomé

 

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