Precisamos falar sobre imagens, Laura Erber

Da série Musa sem cabeça (2013)

Vamos acompanhar a Laura Erber, que aqui em Precisamos falar sobre imagens (publicado no blog do IMS) escreve que:

A história recente do olhar é também a história do olho ameaçado pelo excesso de visível e pela falta de imagens. A fotografia eloquente, através da qual algo fala, e a fotografia como elemento comprobatório, muda e inibidora do verbo, são apenas dois dos possíveis modos de nos confrontarmos com o visível que nos rodeia. E, ainda assim, talvez não se trate ainda de imagens num sentido mais pleno ou radical, se aceitarmos que a existência de uma imagem depende não tanto de sua capacidade de afirmar o visível, mas de fazer com que o olhar hesite diante daquilo que vê. Daí a situação paradoxal na qual, mesmo em excesso, a imagem, como algo que se destaca do visível, continua a fazer falta.

Tomo como exemplo o Facebook, esse espaço de murmúrios e lamentos, sem entradas ou saídas, jardim de nossos narcisos em flor, pulsões escópicas cotidianas e compulsivos compartilhamentos de links em geral mais eficazes para a sobrevida da informação do que para seu metabolismo. Lugar também do desacordo, do desagravo, da gritaria, da citação e dos gatos. O que poderia ser – e às vezes é – um dispositivo de enlace crítico ou poético entre texto e imagem acaba reduzido ao cacoete da redundância ilustrativa ou da legendagem infinita, preferencialmente sob a forma lapidar do comentário breve. O layout dos murais verticais incentiva, ou pelo menos não impede, o tensionamento de imagens e textos.

[…]

Por outro lado, é ingênuo acreditar que somos capazes de uma experiência puramente visual do visível. Não existe uma tal ilha da pureza sensorial fora da condição mediada da imagem na qual, por bem ou por mal, estamos instalados. Não há como escapar inteiramente dos “aplicativos” que orientam a compreensão de uma imagem, sejam eles os tradicionais guias turísticos, os discursos históricos, as ferramentas conceituais da teoria da arte, a pedagogia museológica ou nossa própria inércia perceptiva.

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