Brasília

Croquis do Plano Piloto de Brasília, por Lúcio Costa.

Que isso se dê na cidade de Brasília e aqui no plano-piloto: o espaço que se manteve, ainda que por sua nomeação, no âmbito do desenho (chama-se a cidade de plano-piloto), o espaço inaugurado pelo x ou pela cruz marcados sobre a superfície plana do Planalto Central (no primeiro desenho de Lucio Costa), a cidade flutuante – eterno plano que segue planando sobre o solo, em forma de avião ou pássaro –, a cidade cujas formas lunares dos prédios desenhados por Niemeyer marcam-se de certa melancolia como a de quem viaja à lua procurando civilizá-la desenhando-lhe o futuro, a cidade, enfim, cujo projeto construtivo não previu a habitação daqueles que a construíram, a cidade-monumento onde, por tudo isso, quase tudo é resto – ela, a cidade, que restou projeto, plano-piloto; eles, os cidadãos, que restaram também eles projetos de uma cidadania que só pôde se exercer fora da cidade, em ocupações-satélites. Que, em Brasília, se opere, neste evento, o rito da desconstrução, é, ao menos para mim, uma nomeação algo precisa do Brasil, esta ilha onde é possível sobrescrever, num ato de fala, a resposta de Jacques Derrida ao que seja desconstrução: desconstrução é Brasil.

(Trecho da comunicação apresentada no V Colóquio Escritura: Linguagem e Pensamento, em Brasília.)

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