Pare a investigação agora ou terá problemas

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Quem fala tem culpa. Quem escreve tem culpa. O culpado do crime, ao enviar uma carta para a polícia, o suicida, ao deixar a carta na gaveta da escrivaninha, o pai, ao ensinar por carta a ética a seu filho, têm culpa. Mas o culpado do crime escreve procurando como sempre ocultar as pistas, abdicando da sua caligrafia, e esquecendo-se de que o ato de escrever e recortar dos jornais (que noticiam os seus crimes) as letras (que comunicam de viés a sua culpa) é a prova de sua existência, é o resto de sua singularidade, é a prova do real. Imaginando-se passar quase invisível como um fantasma, o culpado do crime ainda assim escreve, como quem esquece que em escrever em ato existe corpo, matéria, vida. Não há como escapar à letra. Pois é preciso escrever para comunicar um crime anterior ao crime cometido, um crime que comete quem fala. De nada adianta não confessar a culpa. O crime fala por si. Quem fala mata e muda a realidade. E, dessa vez, foi preciso, com letras e palavras dos jornais dos dias 16 e 17 de setembro de 2014, falar na voz do criminoso, pois assim falar restitui-se como um ato: a prova do real para quem se imagina quase morto.

A carta foi composta por onze alunos do ensino médio, cada um é autor de uma frase.

A carta foi composta por onze alunos do ensino médio; cada um é autor de uma frase.

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